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Eu
e a Vera retornávamos de férias de Florianópolis. Na entrada
de Curitiba tinha um longo congestionamento. Diversos
vendedores ofereciam sacos de jabuticabas.
A Vera perguntou para um deles:
Ele respondeu:
Ela disse:
E completou:
Ele respondeu:
Ela pegou o saco de jabuticabas e pagou.
Comemos as jabuticabas que estavam realmente uma delícia.
Em seguida eu questionei a Vera e lhe falei:
Joguei sobre ela todas as minhas teorias de negociação.
Ela acabou concordando que eu estava certo.
Para mostrar melhor os meus conhecimentos, resolvi comprar
também jabuticabas.
Num outro grupo de vendedores, mais à frente na fila, chamei
um deles e perguntei:
Ele respondeu:
Ofereci minha contraproposta e finalmente chegamos a um acordo.
As jabuticabas estavam todas estragadas. Não conseguimos
comer.
Como a fila tinha andado, eu não consegui voltar para brigar
com o vendedor. Só xinguei, mas em pensamento para que a Vera
não percebesse que estava tão humilhado.
Ela riu muito...
Na verdade, a pergunta da Vera levou a negociação
diretamente para um campo de cooperação e confiança mútua. A
minha pergunta levou para um campo de disputa. Quem levaria
mais vantagem?
Mas existe algo mais profundo:
A intenção da Vera atraiu a pessoa adequada ao seu
relacionamento.
A minha também, infelizmente.
Como bom estrategista fiquei bicudo de Curitiba até São
Mateus do Sul. Não falei mais uma palavra.
Valmor
Vieira |