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O Santo Daime A
ayahuasca – cipó lenhoso – contém um alcalóide denominado
“banisterina” que, além do seu poder como anestésico local, possui a
faculdade de excitar o sistema nervoso central. Um dos seus princípios
ativos foi batizado com o nome de “telepatina”, em vista dos seus
efeitos no campo da clarividência e telepatia. Também
é conhecido como Santo Daime. Ao
ver na televisão uma reportagem e ler no livro “Meus Enigmas
Favoritos” de J. J. Benitez, eu resolvi que iria conhecer. Fui
até Chapadas dos Veadeiros – Alto Paraíso - mas lá não pude
experimentar. Soube que em Florianópolis tinha uma comunidade nos
Ingleses, Um distrito ao norte da capital. A
cada 15 dias é feito um ritual onde os visitantes, junto com os adeptos,
podem experimentar. Fomos,
eu e minha esposa, no dia anterior para receber as instruções. No
dia, começamos a participar. Pagamos uma taxa de R$ 5,00 e assinados uma
declaração de responsabilidade total. Toda
a preparação do chá é um ritual, desde a coleta, ao esmagamento do cipó
e principalmente na cerimônia. O
ritual começou as 20:30h aproximadamente. Os mais graduados ficaram no
centro e os visitantes mais na parte externa (de um círculo). Parece
haver uma forte hierarquia. As mulheres ficam de um lado e os homens de
outro. Os adeptos começam a cantar exaltando o Santo Daime, acompanhado
por violões. Em
fila segue-se até o local onde é oferecida a dose. A minha foi muito
pequena. Imaginei que dificilmente aquilo me derrubaria. O gosto era horrível.
O cheiro voltava pelas narinas. Eu nunca tomei algo com o gosto tão ruim.
Voltei para o meu local e trinta minutos depois comecei a enjoar. Vomitei
tudo o que tinha e o que não tinha. Uma hora depois estava arrasado, com
o corpo em frangalhos. Às
vezes queria voar, mas sempre um adepto tocava para acordar. Por um
pequeno lapso de tempo eu consegui voar. Escutava aquela música
maravilhosa, mas eu estava na frente da canção. Eu sabia o que iriam
dizer. Foi muito legal, mas logo fui cutucado. Acredito que a experiência
seria bem mais agradável se fosse permitido voar. Veio
a segunda dose, que foi menor, e voltei a vomitar, mas fiquei mais
consciente e percebi que aquilo poderia ser uma hipnose acelerada. Com o
corpo arrebentado, vomitei umas seis vezes, e ouvi aquela música
exaltando o Santo Daime e mesmo a necessidade de tomá-lo. Comecei a
conversar com um psicólogo da UFPR que estava ao meu lado. Ele me disse
que era a sua quarta vez que estava indo ao ritual, que acontece em média
a cada quinze dias. Ele estava fazendo um estudo. Imaginei que
dificilmente ele conseguir resistir a vontade de voltar ao ritual. Ele
seria sem duvida um adepto. Ele me alertou que o mais difícil acontece
nos dias seguintes. Realmente isto aconteceu. Eu passei uma semana só
pensando na cerimônia e ouvindo aquela música. A
Vera, minha esposa, que me acompanhou na experiência, disse que via nas
pessoas os traços de sua personalidade expressos nas suas fisionomias.
Algumas com belos rostos e traços e outras com faces deformadas. J.J.
Benitez em seu livro “Meus Enigmas Favoritos” descreve uma
“viagem” que fez. Eu não consegui porque sempre alguém me acordava.
Acredito que faziam isto para que o efeito hipnótico fosse mais forte.
Com o corpo arrebentado, aquela música entrava facilmente na minha mente. As
21:30h eu já queria ir para casa, mas tínhamos de ficar até o final. A
cerimônia terminou as 3:30h da madrugada. Eu
me recusei a tomar a terceira dose. Valeu
a experiência. Eu não recomendo experimentar. As chances de se ficar um
adepto são grandes.
Valmor Vieira O CD AbbrA contém muitos outros temas mágicos, além de abordar com mais profundidade os que estão no site. Veja!
Vamos nos divertir um pouco??!!!
Criação: 05/10/2001 |
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